21.06.07
Basta de Verdades
Às vezes, o tão somente fato de existir está embutido apenas na respiração
O peito bloqueia e retorna como sinal de transito...
E os pensamentos voam e caem como bolhas de sabão em janela de vidro
Borboletas insanas rondam a cabeça como quem não pede licença pra entrar
Borboletas essas que levam na mochila a consciência...
Mais do que deixei de fazer do que o fazer por si só...
Ainda bem que conto com meus dedos!
Viram tentáculos, e escondem olhos, boca, nariz, ouvidos...
Sinta o ar puro de dióxido de carbono,
talvez eu estaria em paz, se tivesse atrasado a ampulheta da vida que vive nos mirando, como setas de videogame
Nossas escolhas são feitas por furiosos Deuses enterrados em terreno grego que brincam com a gente como aquelas marionetes,
Mais um giro na roda dos incompetentes...
Começo a engolir os dedos, um a um, temperados talvez com ervas daninhas e uma pitada de azeite, pra descer no beco sem saída da minha garganta...
Me passa o sal?
Fico pensando em como os loucos, bêbados e estranhos instintos nos fazem almejar algo antes nunca sentido, ainda mais quando estamos no ápice da insegurança do caminho que desce por água abaixo no ralo da imatura e frágil insensatez, irreflexão....
Insensível....
Mundo de trapos televisionados....
Engulo mais um dedo, pena que não gosto de roer ossos...
Continua sem sal...
Quanto mais velho a gente fica, mais rabugentos e burros nos tornamos,
Talvez pelo fato de termos consciência dos defeitos inorgânicos do nosso ato de pensar....
O ser humano é distinguido por ‘pensar’
Pensa tanto que o mal do século é a depressão inoportuna!
Tanta imundície de pensamentos, reflexões, desejos platônicos de algo inalcançável, que deixam de ser prazerosos e tornam-se o maior pesadelo...
O que fazer? Musica alta...assim ninguém te ouve e você não ouve ninguém...
Te perseguem como se fossem falantes de cinema mudo em uma era qualquer da ignorância e do desafeto...
Me dá um dedo seu? Os meus já estão quase no final
Meus olhos já estão cansados, extraviados e furados como couro de touro em tourada, já esvaziado pela diversão alheia, risos sangrentos e com sede de dor....
Já não quero mais dizer o intragável e incompleto sentimento de ardor, tipo chama em mato verde, pinga sem limão, areia nos olhos, mente ralada....
Limite-se nas muletas dos sonhos, um dia a mais ou um dia a menos enxergará o cheiro de imaturidade...
Garçonete! Por favor, recolha a ossada...
Já estou satisfeita, obrigada!
**Karina Macaron

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criado por felipegalvan
10:52:58