MUDOU agora é !! CAOSELVAGEM.BLOGSPOT.COM

Como funciona a mente de um cão selvagem. é uma forma de guardar um pouco das minha inúmeras cismas semi poéticas como fases que ficam como cicatrizes discretas e experiências fundamentais Inteligências para alicerçar o peso das Burrices já feitas. M

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Arquivo de: Abril 2007

12.04.07

um edredon uma petala um petulante

[FELIPE GALVAN]

Olhando pra´ quele pano violeta
Jogado ao chão ignorando o ardor da tarde
Da cor do seu quarto
Deu-me saudades de quando éramos aquele pano

Apenas uma coberta violeta
Um quarto disforme
Aonde o sol batia
A procissão passava
A pobreza sorria
A riqueza mutava
E nós ali, na nossa coberta
Como se o tempo não passasse

Esquecemos a idéia mecanicista
Esquecemos Descártes
Voávamos do concreto
À ferrugem mais agradável

Uns eram presos
Outros reabilitados
Outros corrompidos
Tapas
Luvas
Manipulações
Como se a chuva não passasse

Esquecemos e,
Agora retomamos
Um gole no campari
Me faz lembrar quanto é breve a doçura
E imediato e persistente
O amargor

  • criado por  felipegalvan criado por felipegalvan
  • Postado em 15:01:34

ontem conheci alguem especial

[FELIPE GALVAN]

função soneca, acordar com essas palavras

já não é aquelas coisas

inclusive quando ve-mo-las cerca de 11 vezes por manhã

mecanicista que sou... olha só! quero meu café pronto

tem horas na vida, meu filho, em que chegarás a um certo ápice de irônia consigo mesmo.

tá vendo não consigo parar.

pela primeira vez na vida acordo com mulher ou sem ao meu lado e me esqueço do café

tudo bem... dou uma olhada na janela respiro um ar fresco

olhar a janela de manhã?! ar fresco?

porra, só tá faltando uma granola...

A, granola?

de quem é aquela.... g r a v a t a ali?

espero ter comido uma fã de avril lavigne, ou não

ops..

meu quarto tá com cheiro de bebê

não de beber?

um espelho nem quero ver...

fiz uma oração por que estava confuso

mas sei que meu eu de ontem não foi um sonho e eu era ateu

ou hoje seja um sonho...

... ou nunca mais vou ver meus amores... amores não, amores sim, só que aquelas putas não são minhas..

enquanto moças são ainda florezinhas... já brincamos de bem-me-quer.... com tuas pétalas

mas no final você sabe né? será sempre querida pelo mal

como uma pombagira casada com lúcifer

 
cadê minha vodka nessa geladeira?
cadê o cheiro de sexo do meu quarto?
quem estava usando aquela gravata?
 

agora foi feito tá feito... o que me resta senão ir à cozinha pra saber se esse ser pelo menos fez café?

  • criado por  felipegalvan criado por felipegalvan
  • Postado em 14:41:42

11.04.07

POEMA EM LINHA RETA

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...


Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.


Álvaro de Campos
  • criado por  felipegalvan criado por felipegalvan
  • Postado em 13:24:38